Já ouviu falar no índice OEE? Descubra como fazer o cálculo

Já ouviu falar no índice OEE? Descubra como fazer o cálculo

O índice OEE é o principal indicador para mensurar a eficiência global do negócio. Com essa medida, é possível definir se a sua empresa está entre aquelas que são consideradas referência no seu ramo de atuação.

Porém, o cálculo do índice pode ser bastante complexo e exige um passo a passo detalhado. Pensando nisso, preparamos este conteúdo para que você entenda mais sobre o desenvolvimento do OEE, seus objetivos e as vantagens de aderir ao modelo. Boa leitura!

O que é o índice OEE?

O OEE (Overall Equipment Effectiveness) — ou Eficiência Geral do Equipamento — é um índice originalmente desenvolvido dentro do sistema de gerenciamento de manutenção desenvolvido pela Toyota. É interessante notar que a multinacional japonesa também concebeu o Diagrama de Ishikawa, outra importante ferramenta de gestão adotada em todo o mundo.

O índice OEE era utilizado, inicialmente, na rotina produtiva das indústrias. Ele media performance geral das máquinas na linha de produção, nas quais os próprios colaboradores eram os responsáveis pelas tarefas específicas de manutenção.

Esse modelo era tipicamente americano e foi otimizado pelas técnicas japonesas. O índice pode ser considerado uma métrica de medição de desempenho que combina medidas de disponibilidade da planta industrial e um gerenciamento destinado à eficiência e qualidade das máquinas utilizadas na empresa.

O Japan Institute of Plant Maintenance (JIPM) oficializou o cálculo do OEE com a intenção de adotar um índice que pudesse servir às companhias japonesas como uma referência sólida para mensurar o bom funcionamento de um equipamento.

Além disso, os gestores poderiam comparar os seus próprios níveis de eficiência com a indústria em geral, facilitando o benchmarking, a comparação otimizada de práticas empresariais. Com os resultados alcançados, o índice rapidamente se espalhou para o resto do mundo.

Qual é a sua importância?

O indicador é bastante versátil e pode ser utilizado na mensuração e avaliação dos resultados dos processos de melhoria e, também, em projetos desenvolvidos com a metodologia Lean, que se concentram no aumento da produtividade geral e na eliminação do desperdício.

O OEE pode ser controlado diretamente pelos gestores da empresa e suas informações são facilmente transmitidas entre os colaboradores por meio de quadros de comunicação. Além disso, ele é composto por três componentes, de modo a gerar uma medição mais completa: disponibilidade, qualidade e desempenho. Falaremos um pouco mais sobre eles adiante.

Por fim, o índice pode ser demonstrado à equipe de maneira gráfica ou diretamente nos quadros alocados nas linhas de produção. Dessa forma, pode ser visualizado pela empresa como um todo, desde os operadores até os supervisores. Eles poderão identificar de forma ágil pontos de baixa performance e abordar soluções práticas.

Como realizar o cálculo?

Para obter o resultado do índice OEE, é necessário, em primeiro lugar, realizar o cálculo relacionado a outras três métricas de performance que compõem a fórmula — como mencionamos, são: disponibilidade, qualidade e desempenho.

O JIPM definiu valores mínimos para que uma empresa possa ser considerada uma companhia World Class, com padrões de excelência internacionais. São os seguintes:

  • o desempenho deve ser de, no mínimo, 95%;
  • a disponibilidade deve superar os 90%;
  • a qualidade deve ser de, pelo menos, 99%.

Se calcularmos a média geral, chegaremos ao valor de 85,5%, com uma tolerância para quem atinge os 85% de forma exata. Alcançar esse patamar demonstra que a gestão é de alto nível.

Agora, vamos falar um pouco mais sobre cada um dos componentes que compõem o cálculo geral do índice.

Disponibilidade

O primeiro item mede a quantidade de tempo que o equipamento ou planta tem disponível para produzir como um percentual do tempo total. É muito importante levar em consideração que intervalos utilizados para manutenção e outros eventos específicos afetam esse indicador.

A disponibilidade é representada pela divisão entre o tempo de operação e o tempo disponível. Assim, a fórmula de cálculo é:

Disponibilidade [%] = tempo de operação/tempo disponível

É importante notar que o sinal de porcentagem é um meio de facilitar a compreensão do resultado final, já que o valor obtido é multiplicado por 100.

Qualidade

Já esse indicador mede o nível de qualidade de saída dos produtos de um determinado processo produtivo. Ele é calculado com base na comparação percentual dos itens com defeito com o total de peças produzidas na operação. A fórmula é:

Qualidade [%] = total de peças defeituosas/total de peças produzidas

Desempenho

Por fim, esse item monitora a performance da operação de fabricação de peças a partir de um período preestabelecido e necessário para o atendimento do cliente (uma métrica conhecida como tempo takt). O cálculo é o seguinte:

Desempenho [%] = total de peças produzidas x tempo de padrão/tempo de operação

Fórmula final

A partir do cálculo desses três elementos, chegamos à fórmula definitiva:

OEE [%] = disponibilidade x qualidade x desempenho

Como exemplificar o cálculo?

Vamos supor que uma máquina qualquer, parte importante de uma linha de produção, opera durante dois turnos de 7 horas por dia, em um total de 14 horas por dia de produção. Esse equipamento tem uma parada planejada durante a troca de turno, de 30 minutos.

Disponibilidade

13 horas e meia equivalem a 780 minutos. Podemos dizer, portanto, que 780 minutos equivalem a 100% de disponibilidade.

Porém, em um determinado dia, a empresa enfrenta uma pane nessa máquina, que paralisa a produção por duas horas. Assim, temos que subtrair 120 minutos dos 780 iniciais. Dessa forma, podemos calcular a disponibilidade:

  • tempo programado: (14 x 60) – 30 minutos da parada = 780 minutos;
  • tempo disponível para a produção: 780 minutos – 120 minutos (pane) = 660.

Assim, teríamos que dividir 660 por 780 e teríamos como resposta um valor de 0,85, caso seja arredondado. Multiplicando por 100, temos 85% — e aí temos o cálculo da disponibilidade deste dia incomum.

Qualidade

Para iniciar a conta aqui, outro dado relevante é que esse equipamento consegue produzir 60 peças por hora, o equivalente a uma por minuto.

Para calcularmos a qualidade, temos que levar em consideração as peças defeituosas. Em uma jornada de 11 horas e meia (já descontadas as duas horas de pane), o total de peças produzidas chegaria a um número de 690. Porém, 90 apresentaram algum defeito.

Como a produção normal dessa companhia consegue chegar ao valor de 810 peças em treze horas e meia, teríamos que subtrair o número de equipamentos defeituosos do número alcançado no dia: 600.

Aí, dividimos esse valor pela produção normal: 600/810 resulta em um percentual de 74%, ou o valor real de 0,74.

Desempenho

Por fim, chegamos à conta relacionada ao desempenho, com os mesmos números adotados: 14 horas com uma parada de 30 minutos. Ainda utilizando o exemplo do dia em que uma pane paralisou os serviços, teríamos 11 horas e meia de produção efetiva.

Durante esse período, e usando o número de 60 peças por minuto, teríamos 690, no total. Porém, sem a pane, a empresa conseguiria 810. Dessa forma, realizamos a divisão entre 690 e 810, com um resultado de 0,85, ou 85%.

Cálculo final do OEE

Finalmente chegamos ao cálculo final:

  • 0,85 (disponibilidade) x 0,74 (qualidade) x 0,85 (desempenho) = 0.53465 ou, arredondando, 0,53

Multiplicando o resultado por 100, temos 53%, bem longe da medida indicada de 85%.

Dessa forma, podemos ver com mais facilidade como uma pane nos equipamentos custa caro à produtividade geral. De um total de 100%, a empresa chegou aos 44% com essas duas horas de falha nos processos — e esse número vai impactar negativamente o indicador mensal da companhia.

Para não correr esse risco, é essencial contar com ajuda profissional para interpretar os resultados obtidos no cálculo do índice OEE de forma mais precisa. Como vimos no post, realizar essa conta diariamente junto com as tarefas operacionais do seu negócio pode ser uma tarefa complexa — e um mero erro pode comprometer todo o plano de metas da empresa.

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